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Recorrer ao juiz dos assuntos de família (JAF): competências, procedimento e formulários

Publicado a 09/07/2026

Residência dos filhos, pensão de alimentos, autoridade parental, divórcio: quando um desacordo familiar não encontra saída, é o juiz dos assuntos de família (JAF) que decide. Mas é preciso saber como recorrer a ele. Eis, de forma documental, o que prevê o direito — competências, formulários, procedimento e custo.

Quem é o JAF e o que julga?

O juiz dos assuntos de família é um magistrado do tribunal judiciário. As suas competências estão fixadas pelo artigo L213-3 do Código da organização judiciária. Conhece nomeadamente:

  • do divórcio e da separação de pessoas e bens, e das suas consequências;
  • da autoridade parental (residência do filho, direito de visita e de alojamento);
  • da contribuição para a manutenção e a educação dos filhos (pensão de alimentos) e das obrigações de alimentos;
  • da liquidação dos interesses patrimoniais dos cônjuges, parceiros de PACS e companheiros;
  • da proteção das vítimas de violências (ordem de proteção).

É preciso um advogado? Depende da matéria

É a questão mais frequente, e a resposta não é a mesma consoante o assunto. A ficha O advogado é obrigatório num processo civil? distingue, perante o JAF:

  • Advogado não obrigatório: autoridade parental (residência, direito de visita, pensão de alimentos), contribuição para os encargos do casamento, delegação de autoridade parental, proteção das vítimas de violências conjugais.
  • Advogado obrigatório: divórcio e separação de pessoas e bens, revisão da prestação compensatória, liquidação-partilha, retirada de autoridade parental, direito de visita dos avós, ações relativas à filiação.

Para um divórcio, cada cônjuge deve, portanto, ter o seu próprio advogado.

Que tribunal chamar a intervir?

O tribunal territorialmente competente depende da sua situação (artigo 1070 do Código de Processo Civil). Em resumo, é o juiz do local onde:

  • reside a família; ou, se os progenitores vivem separadamente,
  • reside o progenitor com quem vivem habitualmente os filhos menores; ou, nos outros casos,
  • reside aquele que não tomou a iniciativa do processo.

Não é, portanto, automaticamente o tribunal de quem recorre — um ponto a verificar antes de apresentar.

Petição ou citação: como recorrer concretamente

Fora do divórcio, o artigo 1137 do Código de Processo Civil permite recorrer ao JAF por petição (a via mais simples) ou por citação.

  • Por petição, sem advogado: utiliza-se o formulário Cerfa n.º 11530*11 «Pedido ao juiz dos assuntos de família» — para a autoridade parental, a residência do filho, o direito de visita e a pensão de alimentos. Existe um teleserviço «Petição ao JAF em linha» para os processos sem advogado obrigatório.
  • O divórcio forma-se por citação ou por petição conjunta, com advogado (procedimento de divórcio judicial).

⚠️ Violências. Se estiver em perigo, o pedido de ordem de proteção depende de um formulário distinto, o Cerfa n.º 15458*07. Em caso de violências, existe um número dedicado: 3919 (Violences Femmes Info), gratuito e anónimo.

O desenrolar: da convocatória à decisão

Uma vez chamado a intervir, a secretaria convoca as partes. A audiência perante o JAF realiza-se em câmara do conselho (audiência não pública). O juiz esforça-se primeiro por conciliar as partes; pode propor-lhes uma mediação familiar, ou mesmo ordenar-lhes que encontrem um mediador para informação — salvo quando violências são alegadas por um progenitor sobre o outro ou sobre o filho, ou em caso de domínio manifesto (artigo 373-2-10 do Código Civil). Em matéria de divórcio, uma audiência sobre medidas provisórias organiza a vida da família (residência, pensão, habitação) durante o processo. O juiz profere depois a sua decisão.

Pode em geral recorrer num prazo de um mês a contar da notificação da sentença (reduzido a 15 dias em certas matérias), pressupondo o recurso então um advogado.

Quanto custa?

Desde 1 de março de 2026, apresentar uma petição perante o juiz dos assuntos de família pressupõe pagar uma contribuição para o apoio jurídico de 50 € (um selo fiscal comprado em linha), como a maioria dos recursos civis de primeira instância. Duas exceções importantes: os beneficiários do apoio judiciário estão dela isentos, e a homologação de um acordo parental amigável (artigo 373-2-7 do Código Civil) mantém-se gratuita. Acrescem, se for caso disso, os honorários de advogado — sendo este obrigatório para certos procedimentos (divórcio, retirada de autoridade parental…) e facultativo para outros. Sob condições de recursos, o apoio judiciário pode suportar estas despesas na totalidade ou em parte — ver o nosso guia O apoio judiciário.

Um dossiê claro e ordenado faz poupar tempo na audiência — e dinheiro quando um advogado factura à hora. Reunir factos datados, documentos numerados e perguntas preparadas é exatamente o que o Aridelle foi concebido para facilitar. Ver também os nossos guias Constituir um dossiê de provas para o JAF e Manter uma cronologia dos factos.

Para qualquer situação individual, aproxime-se de um advogado, de um point-justice ou do Allô Service Public (3939).

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